A maioria de quem mantém um diário de prática para na primeira pergunta: pratiquei hoje? É uma boa pergunta, e respondê-la com honestidade por algumas semanas já muda o seu jeito de tocar. Mas há uma segunda pergunta escondida atrás dela, e é ela que realmente decide a sua velocidade de progresso: o que eu pratiquei?
A memória não é um registro
Pergunte a alguém no que trabalhou na semana passada e a resposta será moldada por como a semana pareceu, não pelo que aconteceu. Os vinte minutos difíceis num trecho complicado pesam uma hora. Os quarenta minutos tocando uma peça que você já sabe pesam cinco. A memória guarda os momentos marcantes e joga fora a aritmética. Um gráfico faz o contrário: é chato, e está certo.
Todo mundo escorrega para aquilo que faz bem
É o padrão que os números revelam com mais frequência, e quase ninguém o enxerga sem eles. Praticar é mais agradável quando soa bem: semana após semana, as sessões pendem silenciosamente para as peças que você já toca e se afastam das habilidades desajeitadas — geralmente leitura, ritmo, ouvido. Ninguém decide isso. Acontece como a água encontrando o declive. Seis semanas depois você interpreta melhor quatro peças sem ser um músico melhor, e não entende por que uma partitura nova ainda parece uma parede.
Um gráfico dividido por disciplina encerra a discussão em quatro segundos. Se a leitura é uma faixa fina e o repertório ocupa quase toda a barra, agora você sabe algo verdadeiro que não podia sentir.

Uma semana num relance: tempo total e como ele se dividiu entre instrumento, leitura, ritmo e ouvido.
Como uma semana realmente é
Olhe três coisas e nada mais. Primeiro, o formato: você toca um pouco quase todos os dias ou tudo no domingo? Os dois somam o mesmo e não produzem a mesma habilidade. Segundo, a divisão: quanto da semana foi para cada disciplina, e essa é a divisão que você teria escolhido de propósito? Terceiro, a exceção: o dia muito maior ou muito menor que os outros, e o que ele tinha de diferente. É aí que você descobre as suas condições reais de prática — uma manhã livre, uma peça que você ama, um cômodo que não precisa dividir.
A visão anual serve para perspectiva, não para culpa
Afaste-se e algo tranquilizador aparece: todo mundo tem meses ruins. Provas, doença, uma mudança de casa, um período longo de trabalho. No gráfico anual essas quedas são pequenas e a tendência continua subindo — exatamente o fato ao qual você não tem acesso no terceiro dia ruim seguido. A visão anual também é onde habilidades lentas finalmente aparecem: o treino de ouvido, que na segunda semana parecia inútil, vira uma coluna real no quinto mês.
Cinco minutos, uma vez por semana
Escolha um momento fixo — domingo à noite funciona para quase todos, porque a semana seguinte ainda não começou. Abra o gráfico semanal, leia os três pontos acima e mude exatamente uma coisa. Uma. Mova dez minutos do repertório para a leitura. Acrescente uma sessão de ritmo nos dois dias em que você já pratica de forma confiável. Proteja o dia que sempre desmorona. Uma revisão que gera cinco mudanças não gera nenhuma; uma que gera uma costuma sobreviver à semana.
O ponto não são os números
Ninguém melhora porque uma barra ficou mais alta. O gráfico é útil por um único motivo: troca a história que você conta a si mesmo pelo que de fato aconteceu, e faz isso em menos tempo do que afinar. Pratique bem durante a semana. No domingo, gaste cinco minutos descobrindo o que você realmente fez — e deixe isso, e não o seu humor, escolher a sua segunda-feira.
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